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Ara votiva 
 
Ara votiva 

Calcário
Séc. II d.C.
Proveniência: Poço de Cortes
Dim.: 405 X 170 X 160 mm
Nº Inventário: MC.ARQ.PC.44.EP.0003
Localização: Exposição permanente

Monumento encontrado em 1944, durante as obras de abertura da Avenida Marechal Gomes da Costa, numa zona que não fazia parte da área urbana de Felicitas Iulia Olisipo, mas do seu território rural. Trata-se de uma ara, ou seja, de um altar. Este tipo de monumentos cumpria dois fins: o de receber um texto que se gravava no seu fuste e o de servir de mesa de apoio a vários tipos de rituais religiosos.

Neste caso, a ara, de dimensões modestas, trabalhada nas quatro faces, apresenta, na sua parte superior, uma figuração triangular à frente e atrás, toros laterais (pulvilli) e uma concavidade quadrangular (focus) escavada no topo. Seria nessa concavidade (actualmente incompleta) onde se derramariam líquidos e queimariam óleos e ervas aromáticas em honra da divindade.

O texto gravado no fuste, [P]ATRI LIBERO/ SACRVM·/ G(aius)· R(?) ·T(?)· AVO/ V(otum)· A(nimo)· L(ibens)· S(olvit), recorda o cumprimento de uma promessa a Pater Liber, por um homem que se identifica com o seu nome abreviado, em vez do avô, ou pelo avô, ou então a favor de um homem chamado Avus, ou substituindo Avus na tarefa.

Liber Pater, a divindade em questão, é uma antiga divindade itálica relacionada com a abundância da Natureza e com a fertilidade. O culto a esta divindade decorria normalmente em ambientes rurais, ligado às preocupações agrícolas. É, portanto, significativo o facto de esta ara ter aparecido fora do perímetro urbano de Olisipo.

Um texto epigráfico é por natureza conciso, mas evidente: é feito para ser lido por muitas pessoas e durante muito tempo. As dificuldades de interpretação do presente texto, que existiriam também na época romana, não são habituais. Em primeiro lugar, o nome de quem consagra o monumento a Liber Pater é constituído por três palavras, como era norma no mundo romano, mas aparece em siglas. Se é fácil descobrir que nome próprio é Gaio (uma vez que só existiam 18), já nomes de família começados por R e cognomes por T são muitos. Assim, podemos supor que o dedicante preferiu permanecer incógnito.

Outra dificuldade está em perceber se Gaio cumpriu uma promessa a favor de alguém, ou em vez de alguém que a não pôde cumprir. E finalmente, também é difícil perceber se a palavra Avus se refere a um grau de parentesco (avô) ou a um cognome (Avus), dado que ambas as hipóteses são possíveis.

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