Encontrada durante a intervenção arqueológica realizada na Praça da Figueira, por ocasião das obras do Metropolitano de Lisboa em 1962, esta placa funerária estava associada a uma urna de incineração em barro, bem próxima dos vestígios arquitectónicos do que aparentava ter sido um monumento funerário imponente. Constitui, portanto, um dos inúmeros vestígios de uma das principais necrópoles da cidade romana de Felicitas Iulia Olisipo.
Em latim tem gravado o texto: CREVSA·AVI / TAE·SER(va)·ANN(orum) / XVI H(ic) S(ita) E(st), ou seja: “Aqui jaz Creúsa, escrava de Avita, de 16 anos.” Eis, portanto um epitáfio algo invulgar por dizer respeito a uma jovem escrava, com nome de heroína grega. Certamente muito querida pela sua proprietária Avita, mereceu honras fúnebres e os seus restos mortais terão sido sepultados junto ao jazigo da família a que pertencera em vida. Uma memória foi gravada para que a sua passagem pelo mundo não fosse esquecida.
O texto funerário curto e simples (que se resume ao nome da defunta e à idade com que faleceu, associados à formula funerária “Aqui jaz”) permite situar cronologicamente a vida e morte de Creúsa no século I d.C.