Caixa de esmolas, em madeira pintada. Depósito de secção rectangular, com base saliente e tampo com ranhura para introdução do dinheiro das esmolas. O espaldar, com uma pega nas costas, apresenta forma que remete para um arco de volta perfeita, sugerindo uma tipologia arquitectónica associada ao interior de uma igreja. Regista ainda elemento iconográfico pintado, relacionado com o culto antoniano: imagem do santo segurando na mão esquerda uma haste de açucena e, no braço direito, o Menino Jesus, envolto em panejamentos.
A face da caixa apresenta uma pintura, imperceptível de descrever, devido ao seu estado de conservação, a qual poderia eventualmente registar uma pintura das “alminhas”.
As alminhas, símbolo iconográfico de cariz religioso, registam uma situação de sofrimento das almas que não tiveram lugar directo ao Paraíso. Vulgarmente são inseridas em nichos, esculpidas em altares ou em caixas de esmolas das capelas e igrejas, num apelo à oração ou a uma simples esmola. Apresentam um tratamento pictórico em policromia de cores vivas e de cariz ingénuo, com cenas do Purgatório, sendo nele representados corpos desnudos a arderem nas chamas.
Assim, durante a celebração da liturgia, este tipo de peça era usada para recolha das oferendas, podendo apresentar-se fixa à parede ou, como no caso desta, transportada pelo crente.