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Antoniana
Fernando de Bulhões, mais tarde Santo António, nasceu em Lisboa, em 1195, e morreu em Pádua, em 1231. Após ter terminado os primeiros estudos, optou pela vida religiosa, ingressando na ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Daí seguiu para a casa mãe,  de Coimbra. Em 1220 entrou para o convento franciscano de Santo Antão dos Olivais, altura em que adopta o nome de António. Considerando ser a sua principal missão a divulgação da fé cristã, desenvolveu importante papel como pregador, com intensa actividade além fronteiras, em especial no sul de França e em Itália.    

Venerado desde o séc. XIII como taumaturgo, protector do casamento, dos objectos perdidos e advogado das Almas do Purgatório, Santo António, não sendo padroeiro da cidade, é um ícone de Lisboa e a sua devoção um dos mais marcantes testemunhos da religiosidade popular.

Para a implantação do seu culto, muito contribuíram a Ordem Franciscana (estabelecida em Lisboa desde 1217), bem como a Coroa e o Senado da Câmara. No entanto, foi o povo de Lisboa que, implementando novas práticas, recriou e desenvolveu um culto muito próprio, permitindo que a devoção a Santo António assumisse uma vertente de cariz popular, em simultâneo com outra de cunho mais erudito. Da capital estendeu-se a outras regiões do país e mesmo, graças à missionação, a territórios mais distantes. Lisboa é, porém, o seu grande centro de devoção.

Neste contexto, a colecção antoniana, a grande maioria exposta no Museu Antoniano, junto à Igreja com o mesmo nome, deve ser entendida como uma das múltiplas temáticas indispensáveis para a história da cidade e, assim, uma extensão do núcleo expositivo do Museu da Cidade.

Inaugurado a 13 de Junho de 1962, este núcleo museológico inclui obras de escultura, azulejaria, pintura, medalhística, paramentaria, cerâmica, ourivesaria, gravura, para além de um importante acervo bibliográfico, com exemplares datáveis entre o séc. XVI e a actualidade. Parte deste espólio resultou da doação de duas importantes colecções de temática antoniana, concretizadas por José Carregal da Silva Passos (em 1951) e José Pinto de Aguiar (em 1958), bem como da incorporação de alfaias litúrgicas provenientes da Igreja de Santo António (imóvel municipal).

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