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Mercado da Ribeira Velha 
 
Mercado da Ribeira Velha 

Faiança
Séc. XVIII (inícios)
Dim.: 1135 mm x 1760 mm
Nº Inventário: MC.AZU.PF.59
Localização: Exposição Permanente
Painel de cenografia barroca, de grande interesse iconográfico por representar um trecho da Ribeira Velha e do seu quotidiano, antes do Terramoto de 1755. Entre o casario reconhece-se a Casa dos Bicos e um troço da cerca moura com a torre de São Pedro.

Os painéis e silhares de azulejos, pintados em azul e branco, por influência da cerâmica chinesa e da importação de azulejaria holandesa, foram muito utilizados em Portugal, desde os finais do século XVII, prolongando-se pela centúria seguinte. Atingem uma notável qualidade plástica, principalmente durante o período áureo do barroco nacional, sendo o programa decorativo dos enquadramentos, complexo e exuberante, sugestivo de encenações faustosas, próprias do gosto da sociedade da época. Foram muito utilizados na decoração do interior de igrejas e palácios.

A mudança do Paço, da Alcáçova para a Ribeira, realizada por D. Manuel, e a construção da Alfândega Nova e do Terreiro do Trigo, transformaram o antigo espaço ribeirinho, dividindo-o em duas praças: o Terreiro do Paço e a Praça da Ribeira Velha. Seguindo o exemplo do rei, a nobreza construiu próximo palácios, os quais integraram a cerca, como a fiada de casas na Ribeira Velha onde se inclui a Casa dos Bicos. Esta residência de Brás de Albuquerque, filho do famoso vice-rei da Índia, foi construída por volta de 1523, na zona da judiaria que havia sido “limpa” com a perseguição e expulsão dos hebreus. Foi inspirada no Palácio dos Diamantes de Ferrara, que aquele nobre conheceu quando visitou Itália. 

Nessa época, a Praça da Ribeira Velha constituía o principal mercado da cidade, destinado à venda de peixe, fruta e hortaliça. O local era caracterizado por uma azáfama constante, com o descarregar de barcos carregados de pescado, o regatear nas bancas das vendedeiras, o trabalho das escamadeiras e o fritar do peixe nas “cabanas do mal cozinhado” para os almoços das gentes de diversas raças e dos mais variados mesteres que laboravam entre este lugar e a Ribeira das Naus. Às frutas e hortícolas, provenientes da região saloia, juntavam-se produtos exóticos oriundos de terras distantes: gergelim, tâmaras e pássaros. Este quadro do quotidiano da Ribeira Velha só viria a desaparecer com a transformação da cidade na sequência do terramoto de 1755.

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