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Azulejaria

Foi em Portugal que o azulejo atingiu o seu mais alto expoente artístico, enquanto elemento arquitectónico de revestimento decorativo e funcional, em permanente diálogo com o espaço onde se integra. Muita da sua originalidade ficou a dever-se aos artífices e artistas estabelecidos nas olarias e oficinas de Lisboa, as quais fizeram da cidade o maior centro produtor nacional e maior mercado consumidor.

A colecção de azulejaria do Museu da Cidade, cuja importância e riqueza lhe conferem o estatuto de uma das maiores e mais importantes colecções de azulejo do país, abarca um dilatado período que vai desde o séc. XVI à actualidade.

Este acervo, tem vindo a constituir-se ao longo dos anos, com particular incidência a partir de 1911, na sequência da remoção dos painéis de azulejos que guarneciam a Igreja de São Lourenço de Carnide, desafectada ao culto para aí ser instalada uma escola primária.

Este belíssimo conjunto, o primeiro de muitos a dar entrada nos depósitos municipais, é também significativo do modo como a colecção de azulejaria se constituiu: de forma geral, a partir demolições programadas pelo progresso da cidade e, nas últimas décadas, fruto de remoções preventivas para evitar a destruição deste valioso património, por incúria, vandalismo ou por furto direccionado para mercados ilícitos.

Neste contexto, são as acções de salvaguarda do património azulejar da cidade, apoiadas nas várias disposições municipais entretanto produzidas, que determinam as características desta colecção, condicionando a sua representatividade histórico-estilística à incorporação das peças em risco.

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