Bacio em faiança pintada, com bordo em aba recta, asa de fita e base plana. O corpo está decorado com uma faixa de motivos vegetalistas a azul-cobalto e manganês.
Exemplar exumado durante uma intervenção arqueológica efectuada no interior da Casa dos Bicos, em contextos arqueológicos relacionados com este edifício enquanto residência apalaçada.
Peças deste tipo foram recolhidas por toda a cidade de Lisboa, alternando com outros modelos em cerâmica vidrada.
O desenvolvimento da produção da faiança portuguesa, sobretudo no século XVII, introduziu um tratamento mais cuidado aos objectos comuns de uso quotidiano, registando-se também o mesmo critério para os bacios que apresentavam decorações variadas e elaboradas. Esta preocupação estética transportada para as peças íntimas contrastava, no entanto, com as correntes práticas de higiene, mesmo numa cidade com a importância de Lisboa.
É sabido que os dejectos domésticos eram lançados para a rua, das janelas ou das portas, acompanhados pelo grito de alerta “água vai”, dando lugar a sítios imundos de difícil circulação. Habitualmente os bacios eram lavados durante o dia nas margens do rio, contribuindo também para a insalubridade das zonas ribeirinhas.