Jarra biansada com bordo em bisel extrovertido, colo alto e ligeiramente convexo, separado do corpo por dupla carena. Fundo de pé em forma de anel. A decoração é constituída por bolbos de lótus muito estilizados distribuídos sobre o colo e parte superior do corpo. Esta decoração foi executada com vidrado parcial manchado, de coloração amarela e acastanhada sobre reserva pintada de cor alaranjada.
A peça foi encontrada no decurso de uma intervenção arqueológica no Teatro Romano, em contextos de ocupação islâmica, numa área que corresponderia à antiga Medina. Trata-se de uma peça de mesa, de elevado requinte, destinada à contenção de líquidos.
O tipo de argila utilizado, bem como a forma e a técnica do vidrado, permitem identificar o seu local de produção no Sul da Península Ibérica.
A presença deste tipo de cerâmica na Lisboa muçulmana revela a sua integração nos circuitos comerciais estabelecidos com diversas regiões, como por exemplo Sevilha, Córdova ou Almeria.