Jarrinha de colo alto, boca trilobada e monoansada, integralmente revestida a vidrado cor de mel, destinada a servir líquidos à mesa.
Trata-se de um recipiente com paralelos exactos em zonas meridionais da Península Ibérica, como Mértola, Silves, Niebla, Múrcia e Denia. O exemplar lisboeta foi, porém, fabricado nas olarias da cidade de Lisboa. Esta circunstância ilustra bem a integração da cidade nas correntes estéticas suas contemporâneas no espaço do Al-Andaluz.
O exemplar foi recolhido na Praça da Figueira, onde os trabalhos arqueológicos revelaram a zona limite de um conjunto urbano de desenho planificado muito coerente, composto por habitações e arruamentos. Estes elementos correspondem, com grande probabilidade, à extremidade do grande arrabalde ocidental da cidade, que abrangia a zona actual da Madalena, da Baixa e de São Cristóvão e São Lourenço. Os elementos da escavação documentaram o desenvolvimento exponencial desta área extra-muros da Lisboa Muçulmana, ocorrido nos finais do século XI e na primeira metade do século XII.