Malgas e prato revestidos a esmalte branco. Malgas em forma de taça carenada, com pé anelar e prato com fundo onfálico.
Em 1960, obras do Metropolitano de Lisboa na Praça da Figueira, revelaram grande parte do antigo Hospital Real de Todos-os-Santos (1492/1769). A intervenção arqueológica que ali decorreu (primeira intervenção em meio urbano realizada em Portugal) permitiu não só conhecer melhor a configuração do edifício, mas também percepcionar o seu quotidiano, através do variadíssimo espólio exumado.
O presente conjunto representa o tipo de louça mais antigo utilizado naquele espaço, exemplificando também a primeira fase de produção de faianças em Lisboa, muito influenciada pelos produtos importados das olarias de Málaga, Valência e Sevilha. Referências “à cerâmica feita à maneira de Málaga” surgem já no século XVI, onde os oleiros de barro vermelho aparecem diferenciados dos “malegueiros”, produtores de louça branca.
A crescente adesão a este tipo de peças está relacionada com as alterações dos hábitos à mesa, traduzidas na utilização de louças individualizadas e mais adequadas às dietas alimentares da época.