Prato moldado, em faiança, com decoração a azul e manganês sobre fundo branco. Apresenta forma circular, covo acentuado e aba larga convergindo para o centro. Na reserva, definida por duplo filete, figura um cão rodeado por enrolamentos vegetalistas. A aba, preenchida por motivos de "aranhões" que alternam com representações botânicas estilizadas, encontra-se circunscrita por duplo filete.
No decurso de quinhentos estabeleceram-se em Lisboa os primeiros oleiros produtores de louça branca (faiança), oriundos da região de Málaga, dando origem à substituição gradual das vulgares cerâmicas de barro vermelho pelos recipientes revestidos a esmalte. Nos inícios do séc. XVII a produção de “faiança malegueira” ganhou um novo incremento, graças a excelente qualidade atingida pelos produtos, cuja expressão decorativa revelava uma clara influência oriental, fruto dos intensos contactos comercias entre Portugal e a China.
Este prato, inspirado nas temáticas ornamentais da porcelana chinesa do período da dinastia Ming, integrou possivelmente uma baixela, tendo sido executado numa das muitas oficinas de Lisboa que, nos princípios de seiscentos, produziam faianças com este tipo de decoração.