Fragmento de bordo e parede de taça, conservando uma asa “bífida”. Bordo levemente espessado no interior e parede denunciando um perfil hemisférico. Pasta de cor beige, dura e verniz negro, mate, medianamente espesso.
Proveniente de uma intervenção arqueológica efectuada no interior da Casa dos Bicos, entre 1981 e 1982.
Vulgarmente conhecida por “cerâmica campaniense”, pela existência de um importante centro produtor na Campânia, Itália, este tipo de cerâmica de verniz negro, pouco ou nada decorada foi produzida nas costas do mediterrâneo ocidental, principalmente na Península Itálica, entre os séculos V e I a.C.
As suas origens encontram-se nas oficinas da Magna Grécia e Etrúria, particularmente influenciada pelas formas da cerâmica ática. Logo nesta fase começam a ser exportadas para o Mediterrâneo Ocidental, nomeadamente para a Península Ibérica.
Encontra-se bem representada no Sul de Portugal, sendo também frequentes nas zonas costeiras e estuarinas, onde o rio Tejo constituiu um canal privilegiado de entrada destes produtos em Lisboa.
Numa primeira fase, estes objectos importados seriam encarados como peças de prestígio, reveladoras de novos hábitos culturais; mais tarde terão assumido um carácter mais utilitário, como louça de mesa.