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Taças 
 
Taças 

Barro modelado
Século XVII
Proveniência: Rua Augusta; Praça da Figueira (Hospital Real de Todos-os-Santos); Campo das Cebolas (Casa dos Bicos)

Nºs de Inventário e Dim.: MC.ARQ/RA.88/1C –
diâm. Base: 45mm; diâm. Bordo: 71mm; alt.: 92mm; MC.ARQ/HTS.60/360C – diâm. Base: 60mm; diâm. Bordo: 140mm; alt.: 75mm
MC.ARQ/HTS.60/256C – diâm.base: 49mm; diâm.bordo: 68mm; alt.: 76mm MC.ARQ/CB.82/16C – diâm.base: 85mm; diâm.bordo: 125mm; alt.: 78mm
Localização: Exposição permanente

Taças em cerâmica modelada de fabrico fino com aplicação final de engobes.

Os bordos são boleados ligeiramente esvasados ou boleados rectos. Uma das taças ostenta um bordo ondulado. Os bojos apresentam decorações variadas: onfalos horizontais, cartelas com incisões ligeiramente oblíquas ou verticais delimitadas por caneluras ou decorada com punções internas. Fundos rasos com concavidade central ou em forma de bolacha. As asas são verticais simples, com excepção de um exemplar que apresenta asas torsas.

Este conjunto de recipientes faz parte de um grupo singular de cerâmica portuguesa que se afirma ao longo do século XVII. Caracteriza-se pela originalidade e exuberância das formas e da decoração, inspiradas nos trabalhos em vidro e metais preciosos. Os centros originários desta produção localizavam-se no Alto Alentejo, tendo mais tarde surgido outras oficinas na Extremadura portuguesa e espanhola.

A par destas louças mais elaboradas, também se encontravam os púcaros de barros finos, vulgo “púcaros de Estremoz”, as cerâmicas brunidas, empedradas entre outras, todas elas caracterizadas por um fabrico muito cuidado.

O grande sucesso desta louça, mesmo junto das grandes elites sociais, prende-se com um fenómeno denominado “vício da água” associado à importância atribuída à densidade, odor, aroma e paladar que esta deveria ter, características que só este tipo de barros finos conseguiam conservar e realçar.

Curioso foi também o hábito de se ingerir pequenos fragmentos deste barro, acreditando-se que os mesmos auxiliavam a digestão, moda mais tarde adoptada pelas jovens de classe alta mas como forma de obterem uma tez mais pálida, bem ao gosto do padrão de beleza da época.

A proveniência arqueológica desta cerâmica em Lisboa, remete-nos para ambientes mais nobres, como é o exemplo da Casa dos Bicos, antiga casa apalaçada, mas também para contextos mais comuns, exemplo do Hospital Real de Todos-os-Santos.

Destaque
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