Desenho a tinta-da-china sobre papel, representando a entrada do café
A Brasileira do Rossio onde é identificável como fundo, elemento decorativo da montra da fachada, ostentando o nome da casa e, em primeiro plano, algumas figuras típicas da cidade, tais como o ardina e o engraxador.
Este famoso estabelecimento de Lisboa, foi fundado em 1911, na sequência do sucesso das Brasileiras do Porto (1903) e do Chiado (1905) e de Braga (1907), por Adriano Teles, regressado do Brasil, onde fez fortuna como exportador de café. Estava localizado na Praça D. Pedro IV, nº 51, 52 e 53, num edifício propriedade da Sra. Condessa de Tomar onde, desde 1820, existia uma chapelaria.
Encerrado em 1960, este estabelecimento esteve intimamente ligado à agitação política e social da cidade. Logo em Dezembro de 1911, nos confrontos entre populares e elementos da guarda republicana, teve as vidraças destruídas, perfuradas por balas, na sequência dos tumultos provocados pela expulsão das “chinesas milagrosas”, duas curandeiras, Ajus e Joé, que supostamente "extraiam bichos" dos olhos dos pacientes.
A Brasileira encontra-se abundantemente representada na obra de Stuart Carvalhais (1887-1961). Este importante caricaturista português chegaria mesmo a pintar um quadro para decoração da Brasileira do Chiado (1905).