Na sequência do Terramoto de 1755 e após um período de hesitação sobre o futuro de Lisboa, D. José I e o seu ministro, Sebastião de Carvalho e Melo, optaram pela reconstrução da cidade sobre os seus próprios escombros. Neste contexto, foi dada prioridade absoluta à reedificação da zona da capital mais atingida pelo sismo, a Baixa, tradicional centro económico e comercial da cidade.
A concepção e execução do empreendimento ficou a cargo de Manuel da Maia (1672 – 1768), Engenheiro-mor do reino, que juntamente com um notável grupo de técnicos, formulou várias hipóteses teóricas, que viriam a ser enviadas ao Duque de Lafões, acompanhadas das respectivas plantas.
Para além dos três projectos elaborados segundo determinações rigorosas de Manuel da Maia que impunha como princípios inalteráveis, a conservação das igrejas e ermidas na localização anterior ao terramoto e os limites impostos pelo traçado das freguesias, cada chefe de equipa foi convidado a apresentar uma proposta própria, inteiramente livre daqueles condicionalismos.
Este projecto, que se integra neste último grupo, apresenta uma grelha traçada com toda a liberdade, sem atender à localização dos templos que, no entanto, conserva, revelando, por seu turno, uma tentativa de harmonizar as duas praças, Rossio e Terreiro do Paço, conferindo-lhe proporções e configurações idênticas.