Este monumento epigráfico muçulmano foi encontrado embutido numas antigas paredes postas a descoberto, quando se abriam as fundações para a construção do edifício nº 19 da Rua das Madres, na Madragoa. O proprietário do prédio, tendo sabido do aparecimento da lápide em Junho de 1965, zelou para que se efectuasse o seu ingresso nas colecções do Museu da Cidade, o que aconteceu em Outubro desse ano.
A estela, cuja parte inferior não sobreviveu, tem o topo quadrangular rodeado por uma moldura, definindo o campo epigráfico, ocupado pelo texto e por motivos decorativos: o arco simbólico e dois discos com folha lanceolada. O texto, gravado em relevo, está relativamente bem conservado, excepto na primeira linha onde apenas se consegue ler “Allah”. O restante texto é uma citação do Corão (sura LV, 26-27), “Tudo o que se encontra sobre a Terra desaparecerá. Só a face do teu Senhor permanecerá aureolada de majestade e nobreza”.
A citação corânica, os motivos decorativos da estela e o tipo de letra, um pseudo-cúfico arcaizante, permitem atribuir a este monumento funerário uma datação do final do século XII ou mesmo dos inícios do século XIII.
Esta estela testemunha a importância da comunidade islâmica a residir em Lisboa, tendo pertencido a um dos cemitérios muçulmanos (almocavares) da cidade. Desactivados na época de D. Manuel I e por determinação régia, foi permitida a reutilização de todos os elementos pétreos aí existentes, nas obras públicas.