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Estela funerária com edícula 
 
Estela funerária com edícula 

Lioz
Séc. I d.C.
Proveniência: Castelo de São Jorge
Dim.: 1120X500X200 mm
Nº Inventário: MC.ARQ.CSJ.39.EP.0001
Localização: Exposição permanente
Estela encontrada na década de 1940, durante as obras de restauro do Castelo de São Jorge. Apesar de ter sido utilizada como material de construção, chegou aos nossos dias relativamente bem conservada. O monumento apareceu inteiro e, como é norma na região de Lisboa, tem topo redondo, mas destaca-se da maioria dos exemplares conhecidos por possuir, escavada antes do epitáfio, uma edícula, ainda com vestígios de molduração e tímpano, destinada a receber uma placa metálica (como parecem indicar os dois pequenos orifícios dos cantos superiores ainda com vestígios dos cravos), que provavelmente representaria o defunto.

No epitáfio que tem gravado lê-se: M(arcus) IVLIVS M(arci) F(ilius)/ GAL(eria tribu) PISO H(ic) S(itus) E(st)/ ANN(orum) III, ou seja, “Marco Júlio Pisão, filho de Marco, inscrito na tribo Galéria, de três anos, aqui jaz”.

Como a maioria dos textos epigráficos romanos, este é lacónico, mas em poucas palavras transmite informações importantes. Para além do nome do defunto, salienta a sua condição de cidadão romano. Só os cidadãos romanos estavam inscritos numa das 35 tribos pelas quais se distribuía o corpo cívico romano. A epigrafia funerária do município de Felicitas Iulia Olisipo prova que os seus cidadãos eram todos inscritos na tribo Galéria. Esta preocupação em indicar a pertença a uma tribo corresponde a uma época em que a maioria da população do município não gozava do estatuto de cidadania romana. A referência à tribo acabará por deixar de se fazer a partir da década de 70 do século I d.C., quando o imperador Vespasiano e o seu filho Tito integram toda a população livre da Península Ibérica na comunidade cívica do Estado romano. A partir daí, estar inscrito numa tribo deixa de ser excepção e não merece destaque.

O facto do epitáfio de Marco Júlio Pisão indicar que ele morreu com 3 anos de idade causa estranheza: era criança quando faleceu e isso significa que nunca atingiu a maioridade. Portanto, ou houve erro na gravação do numeral ou, mais provavelmente, esta criança, ao contrário do pai, quando atingisse a maioridade tornar-se-ia cidadão romano de pleno direito, enquanto que ao pai, talvez um escravo libertado, esse estatuto estaria vedado. A morte prematura de Pisão não fez cessar o orgulho do pai no estatuto futuro do seu filho.

O texto curto e simples que se resume ao nome o defunto e à indicação da tribo a que pertence, sem sequer informar sobre a idade do falecido (ao contrário do que era mais comum), associadas à fórmula “aqui jaz” permite situar cronologicamente a vida de Marco Júlio Pisão no século I d.C.

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