Estela encontrada na década de 1940, durante as obras de restauro do Castelo de São Jorge. Apesar de ter sido utilizada como material de construção, chegou aos nossos dias relativamente bem conservada. O monumento apareceu inteiro e, como é norma na região de Lisboa, tem topo redondo.
No epitáfio que tem gravado lê-se: LICINIA M(arci) F(ilia)/ MAELA H(ic) S(ita) E/ ST, ou seja, “Licínia Mela, filha de Marco, aqui jaz”.
Trata-se certamente de uma mulher pertencente a uma família de cidadãos romanos, uma vez que o seu nome é constituído pelo nome de família no feminino, Licínia, o cognome Mela e o nome próprio do pai, Marco, obedecendo ao que era comum entre famílias que gozavam do estatuto de cidadania plena.
Através do epitáfio não é possível conhecer o estado civil de Licínia. As mulheres romanas quando casavam não recebiam o nome de família dos maridos e os seus filhos herdavam apenas o nome de família do pai, como é próprio das sociedades patriarcais e patrilineares.
O texto curto e simples que se resume ao nome da defunta, sem sequer informar sobre a idade da falecida (ao contrário do que era mais comum), associado à fórmula “aqui jaz”, permitem situar cronologicamente a vida de Licínia Mela no século I d.C.
Antes da estela ter servido de material de construção em época muito posterior, foi, ainda, aproveitada com função epigráfica em época muçulmana. De facto, a seguir ao texto gravado em latim por incisão e cortando a parte inferior das letras da última linha, foi gravada, em relevo, entre os fins do século XI e a primeira metade do século XII, uma longa inscrição cúfica (árabe), que actualmente não se consegue ler.