Fragmento de monumento epigráfico romano encontrado na década de 1940, durante as obras de restauro do Castelo de São Jorge. Apesar de muito cortado, o que resta, juntamente com o texto que tem gravado, indicam que se trata do topo redondo de uma estela funerária que, originalmente, atingiria cerca de um metro de altura.
O epitáfio, VOLVSCIA C(aii) F(ilia)/ TVSCA/ H(ic) S(ita) E(st), ou seja, “Volúscia Tusca, filha de Caio, aqui jaz”, é constituído por um texto curto e simples que se resume ao nome da defunta, sem sequer informar sobre a idade da falecida (ao contrário do que era mais comum), associado à fórmula “aqui jaz”. Estas características permitem situar cronologicamente a vida de Volúscia Tusca no século I d.C.
Trata-se certamente de uma mulher pertencente a uma família de cidadãos romanos, uma vez que o seu nome é constituído pelo nome de família no feminino, Volúscia, um cognome, Tusca (que significa literalmente, da Toscânia) e o nome próprio do pai, Caio, como era comum entre famílias que gozavam do estatuto de cidadania plena.
Através do seu epitáfio não sabemos se Volúscia era casada ou solteira. As mulheres romanas quando casavam não recebiam o nome de família dos maridos e os seus filhos herdariam apenas o nome de família do pai, como é próprio das sociedades patriarcais e patrilineares, de que a sociedade romana é um exemplo.