Fragmento de monumento epigráfico romano encontrado na década de 1940, durante as obras de restauro do Castelo de São Jorge. O estado muito incompleto que apresenta explica-se pelo facto de ter sido utilizado como material de construção.
Apesar de muito cortado e furado com um orifício circular, o que resta, juntamente com o texto que tem gravado, levam a crer que se trata de parte de uma estela, cujo topo (em princípio redondo, como era moda em Felicitas Iulia Olisipo) e a parte inferior não foram conservados (originalmente a estela atingiria cerca de um metro de altura).
No epitáfio lê-se, Q(uintus) CAECILIVS/ [C(aii)] F(ilius) GAL(eria tribu) M[AC]ER/ H(ic) S(itus) E(st), ou seja, “Quinto Cecílio Macro (ou Mácer), filho de Caio, inscrito na tribo Galéria, aqui jaz”.
Como a maioria dos textos epigráficos romanos, é lacónico, mas em poucas palavras transmite informações importantes. Para além do nome do defunto, salienta a sua condição de cidadão romano. Só os cidadãos romanos estão inscritos numa das 35 tribos pelas quais se distribui o corpo cívico romano. A epigrafia funerária do município de Felicitas Iulia Olisipo prova que os seus cidadãos eram todos inscritos na tribo Galéria.
Esta preocupação em indicar a pertença a uma tribo corresponde uma época em que a maioria da população do município não gozava do estatuto de cidadania romana. A referência à tribo acabará por deixar de se fazer a partir da década de 70 do século I d.C., quando o imperador Vespasiano e o seu filho Tito integram toda a população livre da Península Ibérica na comunidade cívica do Estado romano e a partir daí estar inscrito numa tribo deixa de ser excepção e não merece destaque.
O texto curto e simples que se resume ao nome o defunto e à indicação da tribo a que pertence, sem sequer informar sobre a idade do falecido (ao contrário do que era mais comum), associadas à fórmula “aqui jaz” permite situar cronologicamente a vida de Quinto Cecílio Macro no século I d.C.