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Fragmento de estela funerária 
 
Fragmento de estela funerária 

Lioz
Séc. I d.C.
Proveniência: Rua de S. Mamede, 19 
Dim.: 640X370X135 mm
Nº Inventário: MC.ARQ.PCR.?.EP.0001
Localização: Exposição permanente
Fragmento de monumento epigráfico romano encontrado na sequência do desmoronamento de um prédio que fazia esquina entre a Rua do Correio Velho e a Rua de S. Mamede. O estado muito incompleto que apresenta explica-se pelo facto de ter sido reutilizado como material de construção.

Apesar de muito cortado, o que resta, juntamente com o texto que tem gravado, levam a crer que se trata de parte de uma estela, cujo topo (em princípio redondo, como era moda em Felicitas Iulia Olisipo) e a parte inferior não foram conservados (originalmente a estela atingiria cerca de um metro de altura).

Lê-se no epitáfio: L(ucius) MESSIVS L(ucii) F(ilius)/ GAL(eria tribu) REBILVS/ H(ic) S(itus) E(st), ou seja, “Lúcio Méssio Rebilo, filho de Lúcio, inscrito na tribo Galéria, aqui jaz”.

Como a maioria dos textos epigráficos romanos, este é lacónico, mas em poucas palavras transmite informações importantes. Para além do nome do defunto, salienta a sua condição de cidadão romano. Só os cidadãos romanos estão inscritos numa das 35 tribos pelas quais se distribui o corpo cívico romano.

A epigrafia funerária do município de Felicitas Iulia Olisipo prova que os seus cidadãos eram todos inscritos na tribo Galéria. Esta preocupação em indicar a pertença a uma tribo corresponde a uma época em que a maioria da população do município não gozava do estatuto de cidadania romana. A referência à tribo acabará por deixar de se fazer a partir da década de 70 do século I d.C., quando o imperador Vespasiano e o seu filho Tito integram toda a população livre da Península Ibérica na comunidade cívica do Estado romano. A partir daí, estar inscrito numa tribo deixa de ser excepção e não merece destaque.

O texto curto e simples que se resume ao nome o defunto e à indicação da tribo a que pertence, sem sequer informar sobre a idade do falecido (ao contrário do que era mais comum), associadas à fórmula “aqui jaz” permite situar cronologicamente a vida de Lúcio Méssio Rebilo no século I d.C.

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