Encontrada fragmentada e incompleta, durante a intervenção arqueológica realizada na Praça da Figueira, por ocasião das obras do Metropolitano de Lisboa em 1961, esta placa funerária de topo redondo foi exumada numa zona onde foram achadas urnas de incineração. Constitui, portanto, um dos inúmeros vestígios de uma das principais necrópoles da cidade romana de Felicitas Iulia Olisipo.
Em latim tem gravado o texto: T(itus) CALLA[EVS?]/ T(iti) F(ilius) G[AL(eria tribu)]/ SALVIANVS/ H(ic) S(itus) E(st), ou seja: “Tito Caleu Salviano, filho de Tito, inscrito na tribo Galéria, aqui jaz”.
Trata-se de um epitáfio que segue os modelos textuais funerários da sua época. O que se destaca no texto é o nome de família de Tito, CALLA[EVS] (que podemos “aportuguesar” para “Caleu”). A palavra não aparece completa já que a placa não apareceu inteira, mas podemos reconstituí-la porque surgiram registados na epigrafia mais dois “Caleus” no território do município, um dos quais também no perímetro urbano da cidade. Tendo-se confirmado a existência deste nome de família num cidadão romano que, como todos os do município a que pertence, está inscrito na tribo Galéria, temos que salientar o facto de a palavra não ser de origem latina. Trata-se certamente de uma palavra numa língua indígena que se “latinizou”. E assim, este monumento é um testemunho claro de um processo de romanização que culminou com a latinização de um nome não latino e a integração de uma família indígena no corpo cívico romano.
O texto funerário curto e simples (que se resume ao nome da defunta e à formula funerária “Aqui jaz”), associado à referência à tribo permitem situar cronologicamente a vida e morte de Tito Salviano no século I d.C.