Placa encontrada em 1944, durante as obras de abertura da Avenida Marechal Gomes da Costa, ou seja numa zona que não fazia parte da área urbana de Felicitas Iulia Olisipo, mas do seu território rural.
As obras puseram a descoberto uma estação arqueológica de época romana que mereceu escavações de emergência. No local, para além da placa, foram exumadas três aras votivas: uma dedicada a Liber Pater, outra a uma divindade indígena chamada Kassaecus (ambas em exposição no Museu da cidade) e a outra (actualmente de paradeiro desconhecido) a um Genius. Para além destes monumentos epigráficos foram encontradas estruturas, entre as quais uma sepultura de inumação feita em tijolo que hoje se encontra em exposição no Museu da Cidade.
O texto da placa é funerário: D(iis) M(anibus) S(acrum)/ C(aio) I(ulio?) PRIMITIVO/ ANN(orum) LX TEREN/TIA IVL(iana?) PATRI/ P(iissimo) · F(aciendum)· C(uravit)/ H(ic) S(itus) E(st), ou seja “Consagrado aos deuses Manes. A Caio Júlio Primitivo de 60 anos. Terência Juliana ao pai, modelo de piedade, mandou fazer. Aqui jaz.”
O facto de a filha não ter o mesmo nome de família que o pai (Júlio), possuindo antes o cognome de Juliana (uma adaptação desse nome) e o facto de não se fazer referência ao nome próprio do pai de Caio Júlio Primitivo, faz desconfiar que se trata de dois antigos escravos.
O Estado romano promovia a integração social dos escravos libertados. Após a sua libertação recebiam o nome da família dos seus antigos proprietários e os meios para iniciar a vida que se esperava de qualquer romano. Supondo-se que pai e filha eram escravos de proprietários diferentes, explica-se a diferença nos nomes de família.
A consagração aos deuses Manes (espíritos benfazejos dos mortos), a dedicação ao defunto associada à referência de graus de parentesco e de adjectivos no superlativo, permitem datar o monumento no século II, ou até talvez no III.