Encontrada fragmentada e incompleta, durante a intervenção arqueológica realizada na Praça da Figueira em 1962, por ocasião das obras do Metropolitano de Lisboa, esta placa funerária de topo redondo foi exumada numa zona onde foram achadas urnas de incineração. Constitui, portanto, um dos inúmeros vestígios de uma das principais necrópoles da cidade romana de Felicitas Iulia Olisipo.
Em latim tem gravado o texto: G(aius)· TERENTIVS/ G(aii)· F(ilius)· GAL(eria tribu)/ SATVRNINVS/ H(ic)· S(itus)· E(st), ou seja “ Gaio Terêncio Saturnino, filho de Gaio, inscrito na tribo Galéria, aqui jaz”.
Trata-se de um epitáfio que segue os modelos textuais funerários da sua época. Para além do nome do defunto, salienta a sua condição de cidadão romano. Só os cidadãos romanos estavam inscritos numa das 35 tribos pelas quais se distribuía o corpo cívico romano. A epigrafia funerária do município de Felicitas Iulia Olisipo prova que os seus cidadãos eram todos inscritos na tribo Galéria. Esta preocupação em indicar a pertença a uma tribo corresponde a uma época em que a maioria da população do município não gozava do estatuto de cidadania romana. A referência à tribo acabará por deixar de se fazer a partir da década de 70 do século I d.C., quando o imperador Vespasiano e o seu filho Tito integram toda a população livre da Península Ibérica na comunidade cívica do Estado romano. A partir daí, estar inscrito numa tribo deixa de ser excepção e não merece destaque.
O texto funerário curto e simples (que se resume ao nome da defunta e à idade com que faleceu, associados à formula funerária “Aqui jaz”) e a referência à tribo, permitem situar cronologicamente a vida e morte de Gaio Terêncio Saturnino no século I d.C.