Fragmento de placa funerária romana encontrado na década de 1940, durante as obras de restauro do Castelo de São Jorge. O estado incompleto que apresenta explica-se com o facto de ter sido utilizada como material de construção. Apesar de só uma parte da placa ter chegado aos nossos dias, o que restou está muito bem conservado e é prova de um monumento realizado com esmero.
O que se pode ver do texto funerário, gravado cuidadosamente dentro de um campo epigráfico delimitado por uma moldura larga, composta por duas nervuras de perfil curvo, prova que da placa original só foi conservado o seu lado direito e que se terá perdido outro tanto, correspondente ao lado esquerdo. Estamos, então, perante uma placa monumental de grandes dimensões que podemos imaginar afixada na parede de um imponente edifício funerário, provavelmente um mausoléu.
O texto, [… … … M vel C]ATVLLA/ H(ic) S(ita) E(st)/ [... …]LIS AVGVSTAL(is)/ [… …] L(iberta) GADILLA/ [… FACIENDVM C]VRAVERVNT, informa que Catula, ou Matula, jaz no local indicado pela placa e que o monumento foi mandado executar por um homem, cujo nome não é possível ler mas que é augustal (ou seja uma espécie de magistrado religioso que se ocupa das cerimónias relativas ao culto imperial), e por uma mulher chamada Gadila. A presença de um L antes do nome Gadila e o cargo de augustal indicam que se trata de libertos abastados.
A epigrafia da cidade de Felicitas Iulia Olisipo dá, muitas vezes, prova da prosperidade e do dinamismo dos libertos através dos cargos que ocupam, da qualidade dos monumentos epigráficos que mandam realizar, ou das actividades de que tomam iniciativa. Essa notoriedade não é de estranhar, já que o Estado romano promovia a integração social dos escravos libertados. Após a sua libertação recebiam o nome da família dos seus antigos proprietários e os meios para iniciar a vida que se esperava de qualquer romano.