Encontrada durante a intervenção arqueológica realizada na Praça da Figueira, por ocasião das obras do Metropolitano de Lisboa em 1961, esta placa funerária de formato rectangular apareceu próximo de urnas de incineração. Constitui um dos inúmeros vestígios de uma das principais necrópoles da cidade romana de Felicitas Iulia Olisipo.
Em latim tem gravado o texto: HAVE/ PASSERIA· L(ucii)· F(ilia)/ ROMVLA/ AN(norum)/ IIII/ H(ic) S(ita) E(st), ou seja: “Salvé! Passéria Rómula, filha de Lúcio, de quatro anos, aqui jaz”.
Estamos perante um epitáfio que, apesar de seguir os modelos textuais funerários da sua época, se destaca por se iniciar com a típica saudação romana, “salvé”. Trata-se de uma tentativa de estabelecer um diálogo entre mortos e vivos e de atrair a atenção dos vivos que visitassem o cemitério, garantindo que na memória colectiva e anónima ficaria gravada a breve passagem da pequena Rómula pelo mundo.
O texto funerário curto e simples (que se resume ao nome da defunta e à idade com que faleceu, associados à formula funerária “Aqui jaz”) permite situar cronologicamente a vida e morte de Passéria Rómula no século I d.C.