Modelo em gesso natural assinado e datado na base (Leopoldo/ 1947), representando figura feminina de pé, segurando junto ao peito um ramos de rosas. A figura impõe-se com natural serenidade, os traços do rosto apresentam notória semelhança com representações conhecidas de Amália Rodrigues, comummente acarinhada e símbolo da mulher portuguesa; as rosas no regaço são um emblema de paz e tranquilidade.
Simbolizando o agradecimento das mulheres e mães portuguesas a Salazar, o tema remete directamente para a política de neutralidade adoptada por Portugal na II Guerra Mundial, que permitiu poupar o país aos horrores da guerra. Obra de encomenda pública, com nítida intenção programática, acompanha as diversas iniciativas dos organismos de propaganda do Estado Novo filtrando o impacte dos acontecimentos na opinião pública.
O original em pedra foi à época implantado no antigo Jardim da Imprensa (hoje Jardim Maria Elisa Baptista de Sousa Pedroso) em S. Bento, junto à Assembleia da República. Objecto de vandalismo, a estátua foi deslocada para depósito de estatuária do município, em 1974.
Leopoldo de Almeida executou um outro modelo, que se presume um estudo para a mesma estátua (MC.ESC.0130), na qual a figura feminina apresenta atributos que nos remetem para uma síntese da multiplicidade regional e cultural da mulher portuguesa. Ambas as peças fazem parte do conjunto de modelos e maquetas, doados ao museu em 1986 pelos herdeiros do Mestre Leopoldo de Almeida e apresentadas, pela primeira vez, na exposição O Atelier de Leopoldo de Almeida (1998, Pavilhão Preto).