Peça proveniente do antigo Paço da Alcáçova. Trata-se de um capitel incluso no elemento arquitectónico que pertenceria ao edifício, talvez um portal. O capitel é composto por duas partes. A superior, apresenta um ábaco de formato heptagonal, rematado inferiormente por diversas molduras que seguem a morfologia do elemento superior. Entre estas, uma face sem molduração e rematada inferiormente por um colarinho de molduração dupla. O corpo do capitel apresenta uma forma campanular invertida e é decorado por uma folha que se recurva em sentido inverso. Este elemento é estilizado e possui sete lóbulos laterais, de perfil apontado. Lateralmente, o corpo do capitel é decorado por hastes vegetalistas que surgem dos limites laterais da peça e que a abraçam, dispondo-se obliquamente. Estas hastes finalizam em bolbos arredondados, decorados por pequenas concavidades, formando um padrão orgânico. A peça é finalizada por um colarinho moldurado simples.
O Paço da Alcáçova, caracterizado no testemunho de visitantes estrangeiros como sendo mais cómodo que vistoso, não detinha um estilo arquitectónico definido, resultando de adaptações sucessivas, feitas ao longo de séculos. Localizado no reduto militar no Castelo de S. Jorge foi possivelmente, durante o domínio muçulmano, a residência do Alcaide – Governador da Cidade. Posteriormente, após da conquista de Lisboa, passou a constituir a residência dos monarcas portugueses. Com D. Afonso III (1210-1279) e o estabelecimento definitivo da fronteira Sul – conquista do Algarve, Lisboa vai tomando um papel cada vez mais determinante entre as cidades do reino. Com D. Dinis (n.1261-m.1325) os Paços de Alcáçova são elevados a residência oficial da monarquia portuguesa, mantendo este estatuto até ao reinado de D. Manuel (n.1469-m.1521), altura em que, devido à importância que a zona ribeirinha vai adquirindo, em virtude dos progressos económicos relacionados com os Descobrimentos, faz emergir a necessidade da construção de novas e mais modernas instalações. Consequentemente, em 1505 é promovida a transferência da corte para os recém construídos Paços da Ribeira.