Sobre um plinto dispõem-se diversos elementos de matérias frágeis e efémeros, alguns deles aparentemente desconexos: um troféu, uma espada, uma caveira, uma bandeira, um bastão, uma palma, uma corrente…
Realizada especificamente para a exposição temporária Crude, que esteve patente no Pavilhão Branco do Museu da Cidade (23 Novembro 2007 a 13 Janeiro 2008), a obra apresenta desde logo uma relação semântica com os elementos escultóricos existentes nos jardins do museu, tendo o artista utilizado materiais e conceitos que reportam e apresentam uma proposta de reflexão sobre o discurso retórico associado à tradição da nossa escultura pública.
Conforme se refere no catálogo da exposição, a obra configura-se como “ (…) Um monumento à insignificância (…) nesta nova edificação, a simbologia relacionada com o poder é reduzida à fragilidade do próprio objecto, construído em cartão de embalagem (…) suporte sobre o qual se edificou o discurso que sustenta os ditos monumentos”.
No contexto da exposição, a peça foi instalada no piso térreo do pavilhão, de forma simétrica com uma outra obra, idêntica nos materiais e nas dimensões, produzindo um efeito de espelho e duplicidade entre ambas.
Integra um núcleo de arte contemporânea em reservas, abrangendo obras dos anos 80 à actualidade, o qual contempla peças e instalações de materiais menos convencionais, incorporadas sobretudo na sequência dos ciclos de exposições no Pavilhão Branco, reflectindo a abertura do museu aos novos artistas e conceitos estéticos de reinterpretação da temática olisiponense.