Imagem em madeira estofada e policromada, identificada como sendo Nossa Senhora da Pureza. A virgem apresenta-se com as mãos postas em oração e envolta no manto, apoiado sobre o ombro. Tem na cabeça a coroa, em prata e assenta sobre uma pequena e estreita base facetada, em madeira pintada simulando marmoreados.
Proveniente da Igreja de S. Lourenço, onde se encontrava sobre o altar de uma capela, foi deslocada para o Museu da Cidade na sequência de intervenções que puseram a descoberto uma capela gótica preexistente.
Nos inventários da época da aquisição da Igreja de S. Lourenço pelo município de Lisboa, a imagem foi identificada como sendo uma Nossa Senhora da Pureza, provavelmente, pelo facto de no retábulo da Capela-Mor da Igreja se venerar uma imagem desta mesma invocação. Para esta identificação terão certamente contribuido descrições, repetidas em diversas fontes, que referem a transferência para a igreja, em 1902, de uma imagem de Nossa Senhora da Pureza, proveniente da capela do Palácio dos Marqueses de Ponte de Lima/ Castelo Melhor.
Outras descrições coevas referem que, em 1836, foram transferidas da Igreja de S. Camilo de Lellis, para a Paroquial de S. Lourenço, todas as imagens daquele templo, pela Irmandade de Nossa Senhora da Conceição. Estuda-se presentemente a hipótese de esta imagem representar uma Nossa Senhora da Conceição, proveniente daquela Igreja, já que a imagem se apresenta coroada e obedece à tipologia habitual nas representações desta Virgem, pese o facto de faltar à imagem um dos seus principais atributos (aludindo à sua ascensão aos céus, a Virgem da Conceição é habitualmente representada de pé, sobre uma nuvem rodeada de anjos). A eventual existência de uma base com esses elementos, entretanto desaparecida, colmataria esta lacuna iconográfica.
Na colecção do museu é já significativo o núcleo de obras de arte sacra em depósito ou reservas, resultantes de acções de salvaguarda patrimonial, transferência ou deslocação do local de implantação. O seu registo, estudo e conservação são uma prioridade, tendo em vista sempre que possível o retorno das peças aos seus locais de origem.