Escultura em pedra de Ançã com vestígios de policromia, representando a imagem de S. Vicente, padroeiro da Cidade de Lisboa.
O Santo é representado de pé envergando, sobre a alva, uma dalmática e uma estola de cor vermelha. Nas mãos sustenta os atributos que lhe foram conferidos: uma palma na direita e, na esquerda, segura uma barca com dois corvos.
A imagem é esculpida de forma rigorosa e hierática herdada da imaginária gótica: rosto imberbe e semblante sereno; modelação rígida da figura e do pregueado das vestes; insígnias associadas ao culto vicentino de leitura clara e inequívoca; indumentária iconograficamente irrepreensível - a dalmática que lhe confere a dignidade de Diácono e com a qual os mártires eram enterrados; a cor vermelha das vestes, associada à celebração do seu martírio.
Nascido talvez em Huesca, nos Pirinéus em inícios do séc. IV e filho de pais cristãos, muito novo promovido à ordem de Diácono demonstrando, desde cedo, grandes dotes de orador. Foi vítima das perseguições aos cristãos realizadas na Hispânia, no tempo dos Imperadores Diocleciano e Maxêncio. O seu martírio terá ocorrido em Valência, sendo a partir desta cidade que se difundiu o seu culto.
A barca e os corvos encontram-se associados à sepultura e trasladação das relíquias do Santo, ocorrido provavelmente entre os finais do século III e os inícios do século IV d.C. Esta ave, segundo a tradição, foi o garante da preservação da incorruptibilidade do corpo do mártir. A barca evoca o transporte das relíquias, que segundo os documentos mais antigos aconteceu por vontade de Afonso Henriques. Após a tomada da cidade de Lisboa aos mouros em 1147, este monarca terá mandado aparelhar uma embarcação para resgatar o corpo do Santo, que se encontravam em local secreto no Cabo S. Vicente, e transporta-los para Lisboa. Foi esta relíquia depositada na Sé onde se preservou até 1755 altura em que, devido ao terramoto terá desaparecido.
A representação iconográfica da cidade vai, ao longo dos tempos, sofrer alterações pontuais. Só em 31 de Março de 1897 o Senado Municipal procede à ratificação e confirmação legal da utilização destes elementos no brasão da cidade e, pela primeira vez, são fixadas regras para a sua utilização.