Fotografia trabalhada digitalmente apresentando uma visão humorística da célebre pintura de José Malhoa, O Fado (Malhoa, 1910). O tratamento digital foi realizado por Hildebrando Soares e sobre a imagem foi colocado um painel lenticular, permitindo diferentes visualizações da obra consoante a posição do observador.
O titulo da obra, que João Vieira vai buscar à letra do Fado Malhoa, de José Galhardo, enuncia a via satírica que podemos detectar na substituição de pormenores da pintura de José Malhoa por elementos pictóricos emprestados de obras contemporâneas dos artistas do grupo homeostético (fundado em 1982): Espelho Quebrado, de Fernando Brito, Luz Explicadista, de Pedro Portugal, Leque, de Pedro Proença, e sobre o peito da figura feminina, um detalhe de Mamalhoas, de Manuel João Vieira.
Nesta sua criação João Vieira procede de forma sistemática à desconstrução da pintura de Malhoa, reinterpretando-a, construindo uma nova narrativa, liberta e despojada de referencias ao modernismo português, conforme o autor se refere, no texto do catálogo da exposição O Fado Portuguez (Galeria Valbom, 2005); "… aqui venho revisitar os modernistas […] tentando aprender alguma coisa com as réplicas que exponho […] de caminho, em homenagem aos meus jovens companheiros homeostéticos, dou uma boa rabecada (ou guitarrada?) no fado do Malhoa …".