A fotografia de Graça Pereira Coutinho (Lisboa, 1949) no espólio do Museu da Cidade é um trabalho de grande formato efectuado para a exposição Regresso a Lisboa, que decorreu no Pavilhão Branco, em 2002/2003.
Nesta mostra a artista falou-nos de Lisboa, da cidade que a viu nascer e que a viu partir para Londres nos anos 70, entre as memórias pessoais, as narrativas, os lugares, as paisagens e as pessoas; Graça deslocou-se subtilmente por um mundo de emoções que partilhou com o espectador.
Esta fotografia junta dois lugares de Lisboa que marcam o seu percurso pessoal e a sua visão sobre a cidade – a porta do prédio onde nasceu e o Tejo. A conjugação destes dois lugares é unida por uma narrativa pessoal que é escrita sobre a imagem ou, se quisermos, sobre a paisagem. Mais uma vez a artista relembra-nos que a paisagem faz parte do seu corpo e que o seu corpo se relaciona com essas paisagens.
A narrativa pessoal, que não sabemos ficcionada ou real, fala-nos dessa Lisboa dos anos 50 e 60, em que Graça olhava o Tejo e sonhava em viajar, partir e ser artista, fala-nos das relações familiares e dos passeios de domingo na Av. de Roma.