A Casa da Ópera, também conhecida como Real Casa da Ópera ou Teatro da Ópera de Lisboa, foi mandado construir por D. José I, que contratou o arquitecto e cenógrafo Giovanni Carlo Sicinio Galli Bibiena, localizando-se junto ao rio, no espaço onde hoje se situa o Arsenal da Marinha, e fazia parte do sumptuoso complexo formado pelo Palácio Real e pela Igreja Patriarcal.
A Casa da Ópera foi um típico teatro à italiana, com quatro ordens de camarotes, uma profunda caixa cénica e a tribuna real fronteira ao palco, seguindo de perto o modelo da Ópera de Nancy e a Ópera de Viena, projectadas por Francesco Bibiena. São raros os testemunhos deste edifício, que esteve a uso apenas escassos meses mas que se destacou pela sumptuosidade decorativa, cuja estética barroca privilegiou as cores branco e ouro, bem como a sua imponência e dimensão, comparativamente com tudo o que até então se havia feito no género em Portugal. Em termos de especialidade interna permitia albergar um numero aproximado de 600 lugares de plateia, para além dos camarotes e, através de gravuras do libreto da ópera existentes na Biblioteca Nacional, que foram desenhadas com base nos cenários de Bibbiena, é possível ter uma noção da dimensão que apresentava o palco, cuja encenação requeria a presença simultânea de 25 cavalos no palco.
Precocemente desaparecido com o terramoto de 1 de Novembro, o Teatro da Ópera, havia sido inaugurada em Março de 1755, por ocasião das festas de aniversário da Rainha Dona Mariana Vitória, contando o programa da estreia com a ópera Alessandro nell'Indie, do napolitano David Perez (música) e Pietro Metastasio (texto), cujos cenários eram da autoria do próprio Giovanni Carlo Bibbiena.
Esta gravura faz parte da Colleção de algumas ruínas de Lisboa causadas pelo terramoto e pelo fogo do primeiro de Novembro do anno de 1755, cujos originais foram minuciosamente desenhados em Lisboa à data do acontecimento, por M.M Paris e Pedegache, enviadas para Paris onde foram gravadas e impressas pelo gravador da corte francesa, Jacques Philippe Le Bas, tendo sido editadas em álbum em 1757.
O álbum, do qual foram também editadas séries de gravuras coloridas, que circularam por toda a Europa, constitui um importante documento iconográfico das consequências do terramoto nalguns dos mais belos edifícios de Lisboa:
Estampa nº 1 – apresentando as ruínas da Torre de S. Roque, vulgarmente chamada Torre do Patriarca; Estampa nº 2 – documentando os danos na Igreja de S. Paulo, que ficou praticamente arruinada, tendo sido reedificada segundo projecto do Arquitecto Remígio Francisco de Abreu, embora com orientação invertida relativamente à sua antecessora; Estampa nº 3 – que mostra a Sé Catedral de Lisboa, fortemente afectada pelo sismo e pelo incêndio que arruinou parte do claustro, capela do Santíssimo, capela-mor e da torre sobre o cruzeiro. As obras de reconstrução decorreram entre 1769 e 1771, sob orientação do arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos; Estampa nº 4 – que documenta as imponentes ruínas da Casa da Ópera, teatro real que nunca viria a ser recuperado; Estampa nº 5 – apresentando a Igreja de S. Nicolau, quase completamente destruída, restando apenas um dos alçados laterais, a fachada e uma das torres sineiras. As obras de reedificação iniciaram-se em 1780, sob o risco e orientação do arquitecto da coroa, Reinaldo Manuel dos Santos, terminando apenas em 1850; Estampa nº 6 – mostrando as ruínas da Praça da Patriarcal.