Gravura representando uma das mais antigas panorâmicas, da cidade de Lisboa no século XVI, publicada na obra de Sebastian Munster (1489-1552) Cosmographei oder Beschreibung aller Lander Herrschaften, furnemten, Setten, Geschichten, Gebreuchten, Hantierung, vol. II, 1541.
Esta panorâmica abrange a cidade desde o Campo de Santa Clara, a oriente; à zona próxima do Convento da Esperança, a Ocidente. Encontra-se limitada a Norte pelos montes de Santa Catarina, da Graça, de Sant’ana e pelo Castelo do S. Jorge com o Paço de Alcáçova, residência oficial da monarquia portuguesa. Mostra ao centro, por entre o casario, a Praça do Rossio, com o Palácio dos Estáus (1449) e o Hospital Real de Todos-os-Santos (1492-1502). Vista tirada do meio do rio, apresenta em primeiro plano a frente ribeirinha, marcada pelo Terreiro do Paço e o Palácio da Ribeira, ainda com o traçado manuelino e a Ribeira das Naus.
Através desta gravura podemos inferir o desenvolvimento demográfico que se opera na cidade durante o período designado de Descobrimentos. Num espaço de pouco mais de 150 anos, o aumento populacional é de tal forma acentuado que provoca o desaparecimento, por incorporação no casario, de grande parte da antiga cerca fernandina, construída para defesa da cidade no último quartel do século XIV (1373-1375).