Gravura aberta a buril, apresentando um amplo depoimento gráfico e descritivo sobre os efeitos do Terramoto de 1755 na cidade de Lisboa, e as medidas que foram implementadas para atender aos efeitos da catástrofe. Destaca-se não pela qualidade artística mas pela fidelidade da representação iconográfica que tem por objectivo a descrição do acontecimento que, pela dimensão catastrófica, importava fazer circular por toda a Europa.
Tendo por fundo a representação esquemática da cidade anterior ao terramoto, pretendendo demonstrar a sua prosperidade e esplendor, decorre sequencialmente a narração do acontecimento, vendo-se a cidade, agora arruinada, na qual ocorrem cenas do quotidiano reveladoras da verdadeira dimensão do desastre.
A representação gráfica é acompanhada por legendas, inseridas sob os desenhos, que descrevem algumas das providências que foram tomadas pelo poder central, a fim de acudir às necessidades decorrentes do terramoto e tendentes a repor a ordem e a normalidade possível na capital. Entre estas, destaca-se a remoção dos cadáveres e enterramento dos mortos, para evitar a peste; o resgate dos sobreviventes, cuidando dos feridos e desamparados; a protecção da cidade para evitar os roubos; a prisão dos malfeitores e a execução dos ladrões que haviam saqueado casas e templos arruinados.
Esta peça faz parte de uma série de 31 gravuras da Colecção de Augsbourg, integradas no acervo por doação conjunta da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e do Jornal Público.