Vista da Fábrica de Tabacos de Xabregas, instalada num antigo Convento Franciscano, localizado junto ao rio. Num plano secundário identifica-se o palácio dos Marqueses de Nisa. A composição apresenta em primeiro plano uma fragata com a bandeira da monarquia portuguesa, sobressaindo entre outras embarcações de pequeno porte. Na rua que passa em frente à fábrica, alguns populares entre os quais: um homem que conduz uma carroça puxada a bois, uma vendedeira a cavalo. Junto à margem do rio carregadores descarregam a carga para os barcos. À esquerda vê-se já o caminho-de-ferro do norte com o comboio a passar sobre a Ponte de Xabregas.
Este topónimo, que no século XVI designava toda a zona ribeirinha entre a Cruz da Pedra (Madre de Deus) e Marvila (Beato) foi sendo limitado, ao longo do tempo, em relação directa com a progressão habitacional do limite ocidental da cidade.
O Convento de Santa Maria de Jesus de Xabregas, da Ordem de S. Francisco, foi fundado em 1460, pela condessa de Atouguia, D. Guiomar de Castro e edificado em terrenos do antigo Paço Real de Enxobregas, já em ruína.
A actual fisionomia do edifício resulta do restauro integral sofrido pós-terramoto de 1755, caracterizando-se por uma fachada rectangular, de grandes dimensões, com igreja ao centro. A fachada da igreja é marcada por elegante trabalho de cantaria e rematado por um frontão contra curvado apresentado as armas reais.
Tendo em conta a vocação fabril que toda a zona vai assumir ao longo do século XIX, este convento encerrado em 1834, devido à extinção das ordens religiosas, é utilizado como aquartelamento do Regimento de Artilharia 1. No ano de 1838 é arrendado à Fiação de Tecidos de Algodão Lisbonense. Em 1844 um violento incêndio destrói parte do antigo convento salvando-se a igreja. Reconstruído no ano seguinte é instalada a Fábrica de Tabacos Lisbonense, posteriormente Companhia Portuguesa de Tabacos, que ocupa o edifício até meados do século XX. Actualmente é ocupado pelo Teatro Ibérico.