A ideia da construção de um boulevard ao gosto europeu, idealizado entre 1857 e 1859 para a Av. 24 de Julho e posteriormente transferido para a zona norte da cidade, encontra possibilidade de realização no final dos anos 70 do séc. XIX. Assim, marcando um dos momentos mais emblemáticos do desenvolvimento urbanístico da cidade, no dia 24 de Agosto de 1879 iniciam-se solenemente os trabalhos de abertura da Avenida da Liberdade. O projecto, da autoria do arquitecto Domingos Parente e datado de 1874, previu que esta nova artéria principiaria por uma praça – A Praça dos Restauradores.
Esta obra, representando um pormenor da Praça dos Restauradores, reflecte todo um gosto de uma época em que se assiste à valorização dos espaços públicos, com a criação de zonas arborizadas, nas quais não faltam os bancos de jardim e os tradicionais quiosques, exemplos de um emergente conceito de mobiliário urbano. Ao fundo, a fachada do Hotel Avenida Palace remete-nos, de novo, para uma época em que o comboio marcava o ritmo cosmopolita da cidade.
Deve-se à Real Companhia dos Caminhos-de-ferro Portugueses, na sequência do projecto para a Estação Central de Lisboa (inaugurada em 1890), a encomenda ao Arqt.º José Luís Monteiro de um projecto para um edifício anexo, destinado aos serviços administrativos da companhia, no qual estava prevista a instalação de um restaurante de luxo.
No entanto, após a inauguração das linhas do Sul e o do Oeste, a intensificação do tráfego ferroviário impôs a necessidade de novos recursos hoteleiros. Foi neste contexto que surgiu a proposta, apresentada pela companhia Waggons Lits à Real Companhia dos Caminhos-de-ferro Portugueses, de transformar este edifício num grande hotel de estação, à semelhança de outras capitais europeias, ficando a exploração a seu cargo.
O projecto inicial foi alterado, surgindo um edifício de composição classizante de influência francesa. A 10 de Outubro de 1892 é inaugurado o Grande Hotel Internacional. Um ano depois passaria a chamar-se Hotel Avenida Palace.