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Igreja de Santa Maria de Belém 
Igreja de Santa Maria de Belém 
Igreja de Santa Maria de Belém 

Óleo s/ tela
Toni de Bergue
1811
Dim.: 1880 mm X 1480 mm
Nº Inventário: MC.PIN.408
Perspectiva da nave central da Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Belém. A amplitude da representação da nave, abarcando a totalidade da tela, revela a intenção do autor em valorizar a verticalidade e a grandeza do edifício. A simetria da composição e a perspectiva amplamente explorada, quer pelas lajes do pavimento, quer pela representação das nervuras das abóbadas, provocam no espectador uma sensação de pequenez, acentuada pelas figuras que se encontram presentes. Essa verdadeira dimensão do humano, tão pequeno perante a obra de Deus e do rei, é traduzida pela simplicidade das figuras – evidente tanto no grupo de pedintes, representados no lado direito da composição, junto às escadas de acesso a um dos púlpitos, como nas figuras femininas, cujas capas negras, usadas em sinal de decoro e recolhimento, contrastam com a luz que entra pelos vitrais.

Com o início dos Descobrimentos Portugueses, assiste-se a uma gradual alteração na imagem da cidade, consubstanciada com a transferência dos centros administrativos directamente ligados às actividades marítimas para zona ribeirinha. Mais tarde, já em 1504, por iniciativa de D. Manuel I, o Palácio Real passa da Alcáçova para o Terreiro do Paço, determinando definitivamente a mudança do centro da cidade para a Ribeira de Lisboa.

Simultaneamente e uma vez mais por decisão régia, tem início a construção do Mosteiro de Santa Maria de Belém, sob o risco de Diogo Boytaca e obedecendo a uma interpretação nacional do gótico final, definida como Estilo Manuelino, caracterizado pela introdução de diversos motivos iconográficos simbolizando o poder régio. Habitualmente designado por Mosteiro dos Jerónimos, é considerado como um dos mais importantes ícones nacionais da consagração dos Descobrimentos Portugueses.

Edificado no sítio do Restelo, local de onde partiam as naus para a Índia, sobre uma anterior ermida da Ordem de Cristo, e localizando-se a uma légua (cerca de 6 Km) do extremo ocidental da cidade quinhentista, definiu, juntamente com o Convento da Madre de Deus – situado no extremo oriental –, o eixo este-oeste, junto ao Rio, segundo o qual a cidade se desenvolveu, até ao Terramoto de 1755.

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