Nesta obra, construída através de pinceladas onde o intenso colorido surge em contraste com a brancura dos edifícios, Eduardo Viana (1881 – 1967) retrata um arraial numa rua de Lisboa. A geometria irregular da arquitectura, acrescida pela sobreposição das habitações, cria um efeito labiríntico, imprimindo movimento à composição. A rua, engalanada com bandeiras nacionais, é preenchida pela multidão em festa.
A obra de Eduardo Viana definiu-se por uma crescente evolução que partiu daquilo que se pode definir como um tardo-naturalismo para um modernismo, onde a emancipação da cor é progressivamente evidente, revelando a inconformidade do artista à sujeição cromática que era imposta pelo naturalismo.
Embora percorrendo um percurso muito próprio, frequentemente considerado solitário no contexto nacional, juntamente com Almada, Amadeo e Santa-Rita, é considerado como um dos maiores da primeira geração da arte moderna nacional.