Nesta obra, uma sombria alegoria de Lisboa é-nos apresentada por uma figura que se adivinha de mulher, construída pela combinação de outras representações, verdadeiros ícones de uma simbologia de cariz popular.
Uma guitarra, do interior da qual sai uma corda com roupa, simboliza o ventre e, mais acima, dois limões representam os seios. O rosto encontra-se escondido por uma máscara triste. Reforçando os atributos desta Lisboa, um manjerico e uma garrafa de vinho lembram as festas populares. No canto inferior direito da composição, em último plano, surge uma representação panorâmica da cidade.
Referência indispensável no contexto da produção artística da segunda metade do séc. XX, Cândido Costa Pinto (1911 – 1977) é um dos representantes do surrealismo em Portugal. Na sua obra, mais do que a originalidade que a caracteriza, é latente a dualidade preconizada por uma visão caricatural ou grotesca da realidade, associada a uma visão triste ou depressiva.