Vista de Lisboa tirada do cimo da Calçada do Marquês de Tancos. Ao fundo o Arco da Rua Augusta e em plano mais afastado o Rio Tejo. O espaço alcançado por esta paisagem urbana é ampliado e abrangente, vendo-se ao fundo o rio com os barcos e a outra margem. A cidade surge-nos aqui com uma definição teatral, onde é evidente uma firmeza de estrutura em todo processo pictórico.
Carlos Botelho (1899 – 1982), a par de Mário Eloy e de Dominguez Alvarez, foi uma das revelações dos inícios dos anos 30 do séc. XX. Inicialmente afirmando-se como caricaturista e desenhador, seria através da pintura que encontraria plena realização e reconhecimento por parte da crítica e do público, sendo ainda hoje considerado como um dos pintores da sua geração que maior sucesso alcançou.
Apaixonado por Lisboa, retratou-a ao longo de toda a sua carreira, em vistas justapostas e por vezes um tanto “angulosas”, nas quais o rio surge como pano de fundo, com total liberdade de composição onde, através da intensidade cromática, a cidade adquire uma nova dimensão.