Quadro alusivo à tomada de Lisboa aos mouros. Na sequência do pedido feito pelo rei português ao Papa para a conquista de Lisboa, sob a protecção de S. Bernardo e seguindo o plano de ataque por terra e por mar, a 25 de Junho de 1147 uma frota de 164 navios da IV Cruzada chegou à barra do Tejo.
Em primeiro plano é representado o exército português, facilmente identificável pelo escudo com as armas nacionais. Segundo relatos da época, as tropas portuguesas, comandadas por D. Afonso Henriques, posicionaram-se no Monte da Graça, fechando o cerco à cidade pelo lado norte. A poente, instalaram-se ingleses, escoceses, normandos e aquitanos e a nascente, alemães e flamengos. A sul, o cerco era fechado pelos navios fundeados no Tejo.
O combate começou pelo lado ocidental, tendo sido enorme a carnificina. Por fim, após quatro meses de cerco, a 25 de Outubro de 1147 a mourisca Al-Uxbûna passa a estar sob o domínio cristão.
A representação de S. Crispim e de S. Crispiniano, no canto superior esquerdo da composição, remete para o facto desta obra ter sido executada para a antiga Ermida da mesma vocação, inicialmente localizada nas Escadinhas de S. Crispim e que mais tarde, em 1786, foi transferida para a Rua de S. Mamede.
Estes santos, padroeiros dos diversos ofícios que trabalham o couro (sapateiros, luveiros, curtidores de pele, fabricantes de selas, entre outros), são iconograficamente representados com os utensílios de sapateiro, trabalhando o calçado.