Vista da Torre de Belém em dia de tempestade. Entre outras embarcações, no rio destaca-se um galeão de pavilhão britânico. Dos contornos da cidade, evidenciam-se os Altos de Santa Catarina e dos Sete Moinhos.
Verdadeiro ex Líbris de Lisboa e do estilo manuelino, da autoria do arquitecto Francisco de Arruda, a Torre de S. Vicente a par de Belém, assim designada como homenagem a S. Vicente, padroeiro da cidade e cuja imagem figura num dos seus ângulos, é um exemplar da Arquitectura Militar dos inícios do séc. XVI.
Integrando-se no sistema defensivo da barra do Tejo concebido por D. João II, formava com a Torre de S. Sebastião da Caparica (Torre Velha de Porto Brandão), edificada em 1488, um monumental portão de acesso à cidade. Circunstâncias diversas impediram que o projecto da Torre de Belém tivesse sido levado a efeito ainda em tempo deste reinado, optando-se por fundear a meio do Tejo a Nau grande, utilizada como principal meio de defesa da cidade. Caberia a D. Manuel a glória de edificar em seu lugar a fortificação prevista, cujas formas arquitectónicas levaram diversos autores a considerá-la como uma “petrificação da memória da nave que veio substituir”.
Iniciada em finais de 1514 e estando já concluída em 1520, foi edificada sobre um afloramento basáltico existente no meio da água (a linha de costa primitiva era muito recuada relativamente à actual). O tempo que medeia a construção das duas torres reflecte bem os avanços da tecnologia – como contraponto à de S. Sebastião, uma “torre marítima” de uma tipologia medieval, a Torre de Belém é já uma fortaleza no denominado estilo de transição, marcando uma passagem para o moderno sistema de baluarte defensivo.
Esta pintura histórica, representando a Torre de Belém em inícios do séc. XIX, é da autoria de John Thomas Serres, notável pintor inglês de marinhas, tendo sido oferecida à CML por Manuel Teixeira Gomes, Presidente da República Portuguesa entre 1923 e 1925.