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Artefactos Líticos

A colecção de instrumentos líticos exposta na sala da pré-história do Museu da Cidade é composta por 102 peças provenientes de recolhas de superfície e intervenções arqueológicas em Lisboa.

O conjunto da Chaminé de Campolide integra 16 peças em sílex com cronologia atribuível ao Paleolítico Inferior – Acheulense, fazendo remontar a ocupação do território de Lisboa a um período compreendido entre cerca de 300 000 e 100 000 anos a.C. Do povoado de Vila Pouca (Monsanto), estão patentes 52 peças, do Neolítico final, com alguma similitude com o conjunto de 34 peças provenientes do povoado vizinho de Montes Claros (Monsanto), cronologicamente atribuído ao Neolítico final /Calcolítico.

Os utensílios líticos são os materiais menos perecíveis de todo o registo arqueológico, sendo por isso o melhor testemunho do tipo de instrumentos produzidos pelo Homem nos períodos mais recuados da pré-história.

Desde os mais antigos artefactos de pedra lascada, com reduzida extracção de lascas, até ao surgimento do biface, característico do Paleolítico inferior, ficou patente uma significativa evolução nas técnicas de talhe quase integral do núcleo, resultando sobretudo na obtenção de dois gumes longos convergentes.

A produção sistemática de lâminas, característica do Paleolítico superior, passa a colocar em evidência a utilização dos produtos de talhe como instrumentos, ampliando consideravelmente a utensilagem disponível e criando novos suportes de trabalho.

O progresso demonstrado pelas técnicas de talhe e o aperfeiçoamento e produção de novos instrumentos resulta da consciencialização de toda uma série de acções que conduzem a um produto final. Com efeito, depois de seleccionada e preparada a matéria-prima, é indispensável planear todos os passos da execução, visualizando mentalmente os procedimentos necessários. A concretização de forma sequencial e lógica das diversas etapas da produção, permitiu optimizar e estandardizar todo o processo, edificando uma capacidade de gestão empírica dos procedimentos que definem a cadeia operatória de produção de utensílios líticos.

Ao longo do Neolítico, as novas relações estabelecidas entre o Homem e o meio envolvente determinaram a sua gradual sedentarização e a necessidade de elaborar novos instrumentos para novas tarefas. É neste contexto que constatamos o surgimento no registo arqueológico dos instrumentos de pedra polida. Os machados, enxós e goivas obtidos pela abrasão de rochas como o anfibolito, assim como as mós manuais, são vertentes dessa mudança. Contudo, a pedra lascada irá ainda prevalecer durante um longo período, associada à obtenção lâminas e lamelas, de furadores, de pontas de seta ou de micrólitos como elementos de foice.

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