A partir dos inícios do séc. V Lisboa viveu em clima de autarcia. A sua estrutura urbana iria alterar-se, desactivando-se os antigos espaços públicos romanos e contraindo-se a população no interior das muralhas da cidade, erguidas no Baixo- Império (séc. IV-V). Localizada à margem do reino suévico, seria integrada em 468 no reino visigótico, mantendo o essencial dos seus traços urbanos. No entanto, este período é ainda pouco conhecido, tendo sido identificados, até ao momento, muito poucos vestígios. Os elementos arquitectónicos expostos foram encontrados fora de qualquer contexto.
O domínio muçulmano iniciar-se-ia em 714 e prolongar-se-ia por mais de quatrocentos anos (até 1147). Não sendo uma metrópole de primeira grandeza na área do Andaluz muçulmano, era, no entanto, uma cidade de considerável importância devido à sua localização privilegiada e ao movimento portuário.
Descrita por diversos geógrafos árabes, a cidade era cercada por uma cintura de muralhas que envolvia as suas duas áreas fundamentais, também elas separadas por uma muralha: a Alcáçova, onde residia a “elite” administrativa, religiosa e militar, a que hoje corresponde o Castelo de São Jorge, e a Medina, que pela encosta meridional do Castelo descia até ao rio Tejo, de maior pendor civil, comercial e artesanal. No exterior das muralhas desenvolveram-se arrabaldes, de que os mais importantes foram o oriental (zona de Alfama) e o ocidental (onde hoje se situa a Baixa).
Destacam-se na exposição exemplares requintados de cerâmicas de importação, facto que revela a estreita ligação de Lisboa às zonas mais meridionais da Península Ibérica sob domínio muçulmano, e a própria importância portuária da cidade no quadro das relações comerciais do espaço islâmico medieval.