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Lisboa do Passeio Público às Avenidas Novas (séc. XIX) 
 
 

Período conturbado da nossa História, o início do séc. XIX foi marcado pela introdução do Liberalismo, defensor dos modelos culturais da Revolução Francesa e que contribuiu para uma profunda alteração na forma de pensar a cidade.

Na 1ª metade do século, dado o fraco crescimento demográfico, não há significativa alteração da malha urbana, continuando a cidade a caber nos espaços herdados do período pós-Terramoto. Assiste-se à introdução de estatuária como arte pública, de gosto romântico e naturalista (Rossio e Largo de Camões) e à construção de jardins fora do centro da cidade. O próprio Passeio Público, criação pombalina de 1760, vai sofrer alterações, adoptando-se soluções decorativas para servir o gosto de uma burguesia em ascensão.

Em meados do século, com o fomento da indústria e do comércio, verifica-se um crescimento urbanístico para norte, a partir de dois eixos fundamentais: um definido pela Av. da Liberdade até ao Campo Grande, com a destruição do Passeio Público; outro pela Av. Rainha D. Amélia (actual Almirante Reis). A construção da Avenida da Liberdade, inaugurada em 1886, é o projecto urbanístico que melhor representa o momento de ruptura entre uma Lisboa romântica – que evoluiu seguindo uma linha de continuidade pela adaptação dos espaços herdados da época pombalina – e uma Lisboa progressista que ansiava e promovia uma modernização urbanística, que culminará com o início da construção das Avenidas Novas. Essa ruptura é definida pelo carácter simbólico com que se revestiu a destruição do Passeio Público, projecto pombalino que demarcava fisicamente um dos limites da cidade, impedindo deste modo o seu crescimento para norte.

Nas zonas ligadas à indústria e ao comércio, junto à zona ribeirinha e periferia, surgem vilas e pátios operários.

Simultaneamente, aparece um novo tipo de mobiliário urbano (elevadores, quiosques, e outros), obedecendo a uma tipologia decorativa que passa pela utilização da Arquitectura do Ferro, reflexo do gosto da época e que veio alterar profundamente a fisionomia da cidade.

Na exposição, a imagem da cidade surge-nos documentada através de inúmeros testemunhos iconográficos, muitos produzidos por estrangeiros que, de passagem pela capital, registaram a vivência e o quotidiano da cidade.


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