As inovações urbanísticas da Lisboa do final do séc. XIX, definindo o crescimento da cidade para norte a partir de dois eixos – Av. da Liberdade até ao Campo Grande Av. Rainha D. Amélia (actual Almirante Reis) –, e pelos aterros portuários que originariam a Av. 24 de Julho, dotaram a capital de uma nova dinâmica de crescimento.
Este crescimento não implicou, no entanto, alteração na fisionomia dos velhos bairros como Alfama, Mouraria e Bairro Alto, entre outros. A cidade cresceu ocupando arrabaldes, deixando intacta a urbe anterior ao Terramoto, reformada pela Reconstrução Pombalina.
Este novo arranque urbanístico, graças ao papel desempenhado pelo engenheiro Ressano Garcia, reflectir-se-á entre 1900 e 1910 nas denominadas Avenidas Novas, estabelecendo uma ocupação do território entre as duas principais avenidas – a Av. da República e a Av. Rainha D. Amélia.
Interrompida por sucessivas crises internas e externas (lutas partidárias, Grande Guerra e Depressão Económica), que irão caracterizar a primeira década após a Implantação da República, esta renovação urbanística só terá continuidade e se consolidará a partir da década de 30, altura em que, pela mão de Duarte Pacheco, se assistirá a uma real modernização da cidade.
Na exposição, como contraponto à abertura da Avenida da Liberdade, momento crucial do desenvolvimento urbanístico de Lisboa no séc. XX, destacado em diversas gravuras, a continuidade e peculiaridade dos bairros populares impõe-se através da obra O Fado, da autoria de José Malhoa.
Terminando o discurso expositivo, de referir o núcleo alusivo à Implantação da República, onde se destacam a obra O Sufrágio, da autoria de Veloso Salgado e alusivo à 1.ª Vereação Republicana de Lisboa (1908), o Auto da Proclamação da República, assim como o piano onde Alfredo Keil compôs a musica de A Portuguesa.