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 Jardim das Amoreiras

Jardim das Amoreiras
Litografia colorida
George Vivian desenhou; L. Hacthe
Litografou
Séc. XIX (finais)

Amoreiras

Local cujo topónimo se deve ao facto de o Marquês de Pombal ter, em 1771, aí mandado plantar esta classe de árvores cujas folhas se destinavam a alimentar os bichos-da-seda, os quais garantiam a matéria-prima imprescindível para a Real Fábrica da Seda, ali fundada por D. João V.

 

 

 

 

 

 Visita às Hortas

Visita às Hortas
Tinta-da-china s/ papel
1903
Executado para a obra Lisboa, de Alfredo Mesquita

Alfacinha

Não se sabe ao certo a origem desta designação para os habitantes de Lisboa. Poderá residir no costume que os lisboetas dos finais do séc. XIX tinham, ao Domingo, de conviverem em almoços pelas hortas do termo da cidade, onde, juntamente com o habitual peixe frito, consumiam muita salada de alface. Este hábito, pouco comum no resto do país, era visto como estranho ou pitoresco para os forasteiros, tomando a designação um significado caricatural ou mesmo pejorativo.

 

 António Ribeiro (O Chiado)

António Ribeiro (O Chiado)
Aguada de café s/ papel
Mané do Café
1997

 Chiado

Este topónimo encontra a sua origem no comportamento turbulento e ruidoso de Gaspar Dias, proprietário de uma taberna existente no século XVI, que ficava próxima do encontro das actuais ruas do Carmo e Garrett.

Segundo alguns autores, a alcunha ter-se-á estendido ao poeta António Ribeiro, que escreveu o Auto das Regateiras e que frequentava aquela loja.

 

 

 O Carmo e a Trindade

O Carmo e a Trindade
Tinta-da-china e aguarela s/ papel

Executado para a obra O Carmo e a Trindade, de Gustavo de Matos Sequeira

   

Cair o Carmo e Trindade

 Expressão que, actualmente, significa algo de surpreendente e de contorno, por vezes, escandaloso. Terá surgido, inicialmente, com um sentido funesto, em resultado do assombroso impacto do grande sismo que arrasou Lisboa em 1755, em que desabaram dois dos mais importantes conventos, localizados em locais distintos do Bairro Alto, o do Carmo e o da Trindade.

 

 

 Da Madragoa à Ajuda pela Pampulha

Da Madragoa à Ajuda pela Pampulha

Aguarela s/ papel
Emmerico Nunes
1947

  Madragoa

Topónimo de bairro que remonta ao século XIX, substituindo a designação de Mocambo. O nome que surge por alteração fonética, parece dever-se ao facto de, nesta área da cidade, ter existido no séc. XVI, uma rua com o nome das Madres de Goa (actual Rua Vicente Borga), em cujo extremo, junto ao Convento das Trinas, existia um hospício de senhoras da Índia, as ditas madres de Goa.

 Rossio à noite

Rossio à noite
Guache s/ papel
Arnaldo Ferreira
1956

 

 

 

 

 

 

 

Meter o Rossio na Betesga

A expressão que se pode testemunhar in loco, meter uma grande praça como o Rossio, na estreita rua que a liga à Praça da Figueira, significa algo desproporcionado ou impossível.
O topónimo betesga, significa também beco, pelo que poderá corresponder à antiga ruela sem saída que, antes do Terramoto de 1755, existia no meio e perpendicularmente, à Rua da Betesga e que porventura lhe terá emprestado o nome.

 Igreja de Santa Engrácia

Igreja de Santa Engrácia
Aguarela s/ papel
Max Braumann
1938

Obras de Santa Engrácia

Expressão popular que encontra a sua origem na demora na conclusão da edificação da Igreja de Santa Engrácia.

Localizada no Campo de Santa Clara e utilizada como Panteão Nacional, a sua construção prolongou-se ao longo de 385 anos.

 

 Varina (mulher d’ Ovar) vendendo peixe em Lisboa

Varina (mulher d’ Ovar) vendendo peixe em Lisboa
Litografia colorida
1870

Estampa nº 2 da 2ª colecção da obra Álbum de Costumes Portuguezes

Varina

Designação abreviada de ovarina que os habitantes de Lisboa deram às mulheres oriundas de Ovar, que vieram para a capital (tendo parte significativa ficado no Bairro da Madragoa) a partir da segunda metade do séc. XIX, e que vendiam peixe pelas ruas ou trabalhavam no Cais da Ribeira.

O nome foi estendido também às mulheres provenientes de uma área abrangente, próxima daquela povoação litoral e de grande tradição piscatória, como Ílhavo, Aveiro e Murtosa.

 

 

 Carta Topographica da Cidade de Lisboa e seus arredores (pormenor)

Carta Topographica da Cidade de Lisboa e seus arredores (pormenor)
Gravura
Maia, Mesquita Júnior e Mesquita Sénior
1884

 

Resvés Campo de Ourique

A expressão, para alguns, surge a partir de 1755 quando o terramoto que atingiu Lisboa destruiu a cidade até à zona de Campo de Ourique, que foi milagrosamente poupada.

Para outros autores, o sentido da expressão tem a ver com o facto de o traçado urbano da cidade oitocentista, quando a estrada da circunvalação atravessava este bairro (pela Rua Maria Pia), ficando “por um triz, por pouco, à justa”, como parte limítrofe da cidade, generalizando-se a partir daí a expressão.

 

 Poço dos Negros

Rua do Poço dos Negros, a Santa Catarina

 Poço dos Negros

Nome de um topónimo resultante da existência de um poço mandado abrir por D. Manuel I em 1515 e que funcionava como sepultura colectiva dos cadáveres dos escravos negros.

 

Este poço tinha por fim evitar as epidemias e problemas de saúde pública pois, à época, os escravos não tinham direito a serem enterrados nos adros das igrejas, pelo que os seus cadáveres eram lançados ao Tejo, da escarpa de Santa Catarina, ou enterrados na praia. Noutras ocasiões, eram atirados para lixeiras ou lançados nos descampados e quintas dos arredores da cidade, onde acabavam por ser devorados pelos cães.

Existe também a hipótese da designação se dever a um poço da horta dos «frades negros», que eram de São Bento.

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