O Núcleo de Conservação e Restauro da Divisão de Museus e Palácios conta já com uma década de funcionamento. Em estreita colaboração, numa fase inicial, com o Instituto Português de Conservação e Restauro (actual Instituto dos Museus e Conservação), foi adquirindo autonomia e diversificando as suas áreas de acção, sendo possível presentemente intervir a nível de conservação preventiva dos espaços museológicos, e intervenção de restauro paleativa e conservativa.
A conservação preventiva e monitorização termohigrométrica e lumínica dos espaços museológicos, incluindo os museus municipais e áreas de reserva, é um dos principais objectivos, dado que do seu sucesso depende a estabilidade física e química dos acervos. Para a sua concretização tem vindo a ser desenvolvido um trabalho considerável, no sentido de apetrechar estes espaços com tecnologia de ponta, visando a monitorização permanente de quatro parâmetros ambientais: temperatura, humidade relativa, intensidade luminosa e radiação ultra violeta. O objectivo presente é a dotação de equipamento que permita monitorizar os níveis de outros factores, não menos importantes, na acção degradativa dos bens museológicos, como sejam os poluentes ambientais. São ainda da competência da conservação preventiva a definição de materiais e formas de acondicionamento e exposição dos espólios dos diferentes museus municipais.
A intervenção de restauro propriamente dita compreende as vertentes paleativa e conservativa. A primeira, pauta-se por uma abordagem de intervenção mínima, destinada a repor a legibilidade das peças e estabilidade física dos suportes, quando as patologias assumem uma baixa expressão percentual. Nos restantes casos a opção conservativa é a via a seguir, conseguindo-se por vezes recuperar e reconstituir peças a partir de alguns fragmentos.
A evolução do Núcleo de Restauro foi acompanhada por uma especialização e diversificação crescente. Contemplado inicialmente o domínio dos bens arqueológicos, presentemente é possível intervir, de forma conservativa, em seis áreas funcionais: materiais pétreos, bens arqueológicos, cerâmica, pintura, documentos gráficos e azulejos. A intervenção paleativa, válida também para estas áreas, contempla ainda outras duas – têxteis e mobiliário.
Do vasto trabalho de restauro já desenvolvido contam peças, cuja importância e peso incontornável no panorama da nossa cultura, falam por si. É o caso de pinturas como o “Sufrágio”, “O Fado”; colecções de artistas, como Abel Manta, com especial expressão em documentos gráficos, ou a obra de Rafael Bordalo Pinheiro, com destaque para a peça “Bodas da Aldeia”. Também deste artista foi desenvolvido um significativo trabalho de restauro a nível do espólio cerâmico, destacando-se, entre outras peças, o “Perfumador árabe” e a “Talha Manuelina”.